CUFA, Brasil, 2004 Desde a década de 60, o Brasil celebra o dia 20 de novembro como o dia Nacional da Consciência Negra. A data escolhida rememora o ano de 1695, quando morreu o maior ícone da resistência negra no Brasil, Zumbi dos Palmares.
Zumbi foi o precursor de uma luta que já perdura por séculos: o combate à desigualdade racial. Depois de sua morte e com a “abolição da escravatura”, em 1888, com a Lei Áurea chancelada pela princesa Isabel, o negro vem buscando alternativas de sobrevivência e de estabilidade social.
Nos últimos anos, o país avançou com políticas afirmativas de promoção da igualdade racial como, por exemplo, as cotas raciais, implantação da lei que torna obrigatório o ensino da História e Cultura da África nas escolas e a regularização de terras quilombolas.
No entanto precisamos avançar ainda mais para minimizar a apartheid que divide o Brasil entre: brancos e negros. Atualmente, o racismo persiste e insiste em aumentar a distância social entre estas duas raças, pois embora com índices pouco minimizados, estudos comprovam que em se tratando do acesso à educação, mercado de trabalho e bens culturais, as oportunidades são menores aos negros.
O Dia da Consciência Negra deve ser lembrado não só pela resistência do negro à escravidão de forma geral (desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro em 1594, foram mais de 04 milhões de negros escravizados), mas também pelas centenas de jovens negros que são assassinados diariamente resultado ainda de uma cultura racista.
A Consciência Negra deve ser legitimada no dia-a-dia como um mecanismo de defesa ao direito à vida, o direito de sermos iguais mesmo sendo diferentes. Porque o que nos caracteriza enquanto cidadãos, não é, e nem deve ser a quantidade de melanina em nossa pele, mas sim o direito de usufruir as mesmas oportunidades sociais que os demais membros desta sociedade.
Elevar o dia 20 de novembro à Feriado Nacional será mais um importante passo para o desenvolvimento de políticas que afirmem e preconizem a importância da identidade e igualdade racial na sociedade, pois a luta pela conscientização negra deve existir em todos os territórios brasileiros como mecanismo de ascensão das minorias raciais no país.Por isso, todos nós da CUFA (Central Única das Favelas do Brasil) entendemos que a celebração desse dia é importante e desde 2004 lutamos para que esse dia chegue a ser Feriado Nacional, pois, devemos ir além, transformar em feriado nacional esse dia – símbolo para negros e não negros, pois certamente Zumbi foi uma das criaturas mais brilhantes e importantes para a história do Brasil.




